quarta-feira, dezembro 5


Nesse verão, o vento despenteou os campos
Nesse verão, o vento despenteou os campos e os barcos andaram aos gritos sobre as ondas.
A beleza excessiva das crianças arrombou os espelhos; e as raparigas,surpreendendo a intimidade dos pais, enlouqueceram nos corredores e foram perder-se, também elas,na volúpia dos dias. Nas árvores centenárias,rebentaram frutos que inflamavam a concha das mãos se escorregavam para boca com a pressa dos nomes proibidos. O sol queimou as páginas do livro interrompido na violência de um poema e revirou os cantos do único retrato que resistira à moldurado tempo. De noite, os rapazes deitam-se à baías atrás de estrelas; e os amantes, incomodados com a exiguidade dos quartos, foram fazer amor nos balneários frios da praia e acordaram nas vozes um do outro. Já não sei o que disse e o que disseste:o verão desarrumou os sentimentos.

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