domingo, setembro 19

J'm'arrêterai pas de t'aimer ah ah
Ce sera mon petit secret
Comme un jardin discret
Qui voudrait fleurir
Dans ton cœur

sexta-feira, setembro 17



Sobre amar...


"Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero o nuvem.
Há mulheres que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios.
Para que ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas.
No resto, quero que tenha medo e me deixe ser mulher, mesmo que nem sempre sua. Que ele seja homem em breves doses. Que exista em marés, no ciclo das águas e dos ventos. E, vez em quando, seja mulher, tanto quanto eu. As suas mãos as quero firmes quando me despir. Mas ainda mais quero que ele me saiba vestir. Como se eu mesma me vestisse e ele fosse a mão da minha vaidade.
Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada a ser ninguém.
Às vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei, tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de sentimento.
Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre o abismo.
Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei.
Como perfume em que perdesse minha própria aparência.
Me solvia na fala, insubstanciada."

Mia Couto

quinta-feira, setembro 16


''Podemos sair de casa há anos, e o quarto que abandonamos é conservado pelos pais. Não modificam uma vírgula de nossa letra. Não alugam, não fazem reforma, não mudam as estantes, não trocam a pintura, a fechadura e os tapetes. Nós alteramos a infância, não os pais, que em qualquer idade nos enxergarão pequenos. Nos enxergarão como se ainda fosse possível resolver a tristeza e a dor com um colo.

Quando voltamos para residência familiar, separados ou exilados, desempregados ou desencantados, descobrimos o quanto eles nos amam. Amam a criança que fomos. Nenhuma boneca foi jogada fora, enfileiradas pelo tamanho. Nenhum carinho desperdiçado. As canetas coloridas da escola guardam tinta. As agendas estão na gaveta, com as fotos dos amigos e as primeiras confidências. Os pôsteres das bandas de rock, que hoje nem fazem sentido, permanecem atrás da porta branca. As revistas proibidas seguem escondidas em uma madeira solta debaixo da cama. A mesma cômoda onde escrevemos cartas de amor e varamos a noite estudando para provas. O mesmo abajur preto, com problemas de contato. O mesmo enxoval, como se tivéssemos passado um longo final de semana fora (um final de semana que pode ter durado vinte anos), e retornássemos de uma hora para outra. O mesmo travesseiro com cheiro de nosso pijama. Os mesmos cabides e espelho. Até a pantufa nos aguarda, com a plumagem desalinhada de ovelha.

Tudo em ordem e recente, a apagar que lacramos a porta com um adeus, a esquecer que viramos o rosto para sermos felizes com nossas famílias. Os filhos são dramáticos e se despedem com adeus, mas vão voltar e voltam, mesmo que seja para se despedir verdadeiramente.

E não é apenas a aparência do quarto que resiste intacta. É o jeito como os pais nos tratam, sem censura e castigo, sem julgar as escolhas e precipitar arrependimentos. Em silêncio, a mãe fará o bolo de laranja predileto. Ruidoso, o pai perguntará se não queremos caminhar com ele. Ao sair, a mãe dirá para não esquecer o casaco, o pai avisará para nos cuidar e voltar cedo. O tratamento é idêntico, insuportavelmente idêntico à adolescência. A velhice não ameaça o amor.

Apesar de confiarmos que somos outros, os pais continuam nossa vida. Não interessa a cor de cabelo, a tatuagem, o piercing, a cicatriz, a ferida, a alegria ressentida, os fios grisalhos e os divórcios, os pais acreditam que somos os mesmos. Somos as crianças que eles deixaram crescer.''


Carpinejar

'Diferente é o que: chora onde outros xingam; quer, onde outros cansam;
espera, de onde já não vem; sonha, entre realistas; concretiza, entre sonhadores;
fala de leite em reunião de bêbados; cria, onde o hábito rotiniza;
perde horas em coisas que só ele sabe importantes;
diz sempre na hora de calar; cala sempre nas horas erradas;
fala de amor no meio da guerra; deixa o adversário fazer o gol
porque gosta mais de jogar que de ganhar; aprendeu a superar o riso,
o deboche, o escárnio e a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual;
vê mais longe do que o consenso; sente antes dos demais começarem a perceber;
se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham.'




Artur da Távola

domingo, setembro 12


Urgent Désir
Lara Fabian

Pequena rosa, abandonada
Procura um jardim carinhoso
Para cultivar a ternura
Perto de uma grande casa florida

Pequeno navio fugindo do inverno
Procura um capitão ao longo do seu curso
Para comandar uma viagem
Num oceano de amor


Desejo urgente
Te encontrar
Seja para a vida
Seja pelo verão
Apagar tudo
Recomeçar
Desejo urgente

Eu sou uma mulher doce e felina
E nas noites tenho um corpo andalúsio
O amor me rende aos seus abraços
Eu ignoro as proibições
Se você tem alma de um poeta
E você acha que está bem da cabeça
Se seu coração está feliz
Eu saberei dizer "Eu te amo"


Desejo urgente
Te encontrar
Seja para a vida
Seja pelo verão
Medo de morrer
Sem ser amada
Sem te encontrar mais uma vez...


"Cuida-te, quando fazes chorar uma mulher, pois Deus conta as suas lágrimas. A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual... debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada!"

do Talmude

sexta-feira, setembro 10




“Mas não se pode agir assim, a amiga avisou no telefone.
Uma pessoa não é um doce que você enjoa,
empurra o prato, não quero mais.”

Caio Fernando Abreu



domingo, setembro 5


Recreio


Preciso muito
De ti um pouco

Minha labareda
Pede o teu sopro

Cava no seio
Que é raso o meio

Suga a delícia
Sente a malícia

Sua a camisa
Me lava de carícia


Sou fêmea no cio
Homem vadio

Sacia tua fome
Vicia!


Vem depressa, vem sem freio
Que sou preza fácil pro teu recreio

Bernadette Moscareli & Paty Padilha





sábado, setembro 4



Vidas Inteiras

Não seja por isso
Eu não tenho pressa
Eu posso esperar vidas inteiras
Mas tenha certeza de que lhe interessa
Deixar escapar o ouro do agora
Para que não seja numa tarde dessas
Tarde demais

Adriana Calcanhoto

A sesta



Pierrot escondido por entre o amarelo dos girassóis
espreita em cautela o sono dela dormindo na sombra da tangerineira.
E ela não dorme, espreita também de olhos descidos,
mentindo o sono, as vestes brancas do Pierrot
gatinhando silêncios por entre o amarelo dos girassóis.
E porque ele se vem chegando perto,
ela mente ainda mais o sono a mal-ressonar.
Junto dela, não teve mão em si
e foi descer-lhe um beijo mudo na negra meia aberta arejando o pé pequenino.
Depois os joelhos redondos e lisos,
e já se debruçava por sobre os joelhos,
a beijar-lhe o ventre descomposto,
quando ela acordou cansada de tanto sono fingir.
E ele ameaça fugida, e ela furta-lhe a fuga nos braços nus estendidos.
E ela, magoada dos remorsos de Pierrot, acaricia-lhe a fronte num grande perdão.
E, feitas as pazes, ficou combinado que ela dormisse outra vez.


José de Almada Negreiros

Tenho me confundido na tentativa de te decifrar,
todos os dias...Minha única certeza é que
de cada vez aumenta ainda mais minha
necessidade de ti..."


Caio Fernando Abreu

Me



guarde
num

embrulho



de

vento

porque eu gosto mesmo é de ser livre.


Pedro Antônio e Oliveira

Vem balançar
Amor é balanceio meu bem
Só vai no meu balanço
Quem tem
Carinho para dar
Carinho para dar...




Queria mais um amor. Escrevi cartas,
remeti pelo correio a copa de uma árvore,
pardais comendo no pé um mamão maduro
- coisas que não dou a qualquer pessoa -
e mais que tudo, taquicardias,
um jeito de pensar com a boca fechada,
os olhos tramando um gosto.

Em vão.

Meu bem não leu, não escreveu,
não disse essa boca é minha.
Outro dia perguntei a meu coração:
o que há durão, mal de chagas te comeu ?

Não, ele disse: é desprezo de amor.





Adélia Prado

No tempo d'eu menina


No tempo d'eu menina

os corredores eram longos

as mesas altas

as camas enormes.

A colher não cabia

na minha boca

e a tigela de sopa

era sempre mais funda

do que a fome.

No tempo d'eu menina

só gigantes moravam

lá em casa.

Menos meu irmão e eu

que éramos gente grande

vinda de Lilliput.





Marina Colasanti

Mente ao meu coração

Mente ao meu coração
Que cansado de sofrer
Só deseja adormecer
Na palma da tua mão
Conta ao meu coração
Estória das crianças
Para que ele reviva
As velhas esperanças
Mente ao meu coração
Que cansado de sofrer
Só deseja adormecer
Na palma da tua mão
Conta ao meu coração
Estória das crianças
Para que ele reviva
As velhas esperanças
Mente ao meu coração
Mentiras cor-de-rosa
Que as mentiras de amor
Não deixam cicatrizes
E tu és a mentira mais gostosa
De todas as mentiras que tu dizes



"Seja qual fôr o caminho que eu escolher um poeta já passou por ele antes de mim"


S. Freud

Poesia es la unión de dos palabras
que uno nunca suposo
que pudieran
juntarse, y que forman así como
un misterio.


Frederico Garcia Lorca

“O pessimista compra passagem de ida e volta,

o confiante compra apenas passagem de ida

e o apaixonado vai de carona para nunca mais voltar.”

Fabrício Carpinejar

segunda-feira, agosto 23