Deitada és uma ilha E raramente surgem ilhas no mar tão alongadas com tão prometedoras enseadas um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente na luz de duas gémeas madrugadas o fulgor das colinas acordadas o pasmo da planície adolescente
Deitada és uma ilha Que percorro descobrindo-lhe as zonas mais sombrias Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias Amiga amor amante amada eu morro da vida que me dás todos os dias
David Mourão-Ferreira
Dile al pájaro que sólo hay árbolesen mi corazón.
Clara Janés
DA PROPENSÃO A PERDER AS CHAVES
Tenho perdido muitas chaves pela vida. A chave do êxito extraviou-se num século cujas chaves não decifro neste pentagrama de louca transcendência. A da felicidade caiu no mar dos absurdos e meu escafandro estava cheio de furos. A do conhecimento está em algum lugar que não sei precisar buscá-la é ofício do vigia que faz a barba em minha pupila. A da imortalidade pesava tanto tive que desfazer-me dela para seguir vivendo. A do teu coração profundo e espesso só abria duas de suas sete portas. A única chave que conservo preserva minha inocência em algum lugar da caixa do corpo. Só para não perdê-la Escrevo versos.
Consuelo Tomás
domingo, novembro 2
“A felicidade suprema na vida é a convicção de sermos amados."
Cansei os braços a pendurar estrelas no céu. Destino dos fados lassos. Tudo termina em cansaços braços e estrelas e eu.
António Gedeão
Vem aos meus sonhos, faz em mim a tua casa.... vê os labirintos por onde me perco,... a lua cruel da minha solidão.... vem aos meus sonhos, ilumina o meu domingo de cinzas, o meu domingo de ramos, o meu calvário, diz que estás aqui,...
José Agostinho Baptista
No caderno da menina lia-se:
Há nas lesmas qualquer coisa de gente e nas pedras uma vontade de sono no caracol um desejo solitário de lar nas plantas rasteiras uma fome de terra e nos fins-de-tarde um cheiro de coisa velha - como velhas são minhas tias, minha avó, minha mãe.
E sem saber mais da (i)mobilidade das coisas, a menina fechou o caderno... (ela desconhecia, mas sob seus pés, repousavam asas)
Vássia Silveira
sexta-feira, outubro 31
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes, um galo canta. Às vezes um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que as coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para vê-las assim.
Si es cuestion de confesar no se preparar cafe y no entiendo de futbol.
Creo que alguna vez fui infiel juego mal hasta el parkes y jamas uso reloj.
Y para ser mas franca nadie piensa en ti como lo hago yo aunque te de lo mismo.
Si es cuestion de confesar nunca duermo antes de diez ni me baño los domingos.
La verdad es que tambien lloro una vez al mes sobre todo cuando hay frio.
Conmigo nada es facil ya debes saber me conoces bien. (y sin ti todo es tan aburrido)
El cielo esta cansado ya de ver la lluvia caer. Y cada dia que pasa es uno mas parecido a ayer. No encuentro forma alguna de olvidarte porque seguir amandote es inevitable.
Ya sabras la situacion aqui todo esta peor pero al menos aun respiro.
No tienes que decirlo no vas a volver te conozco bien. (ya buscare que hacer conmigo)
Siempre supe que es mejor cuando hay que hablar de dos empezar por uno mismo.
Shakira
E ao anoitecer
e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão deixas viver sobre a pele uma criança de lume e na fria lava da noite ensinas ao corpo a paciência o amor o abandono das palavras o silêncio e a difícil arte da melancolia
Original é o poeta que se origina a si mesmo que numa sílaba é seta noutra pasmo ou cataclismo o que se atira ao poema como se fosse ao abismo e faz um filho às palavras na cama do romantismo. Original é o poeta capaz de escrever em sismo.
Original é o poeta de origem clara e comum que sendo de toda a parte não é de lugar algum. O que gera a própria arte na força de ser só um por todos a quem a sorte faz devorar em jejum. Original é o poeta que de todos for só um.
Original é o poeta expulso do paraíso por saber compreender o que é o choro e o riso; aquele que desce à rua bebe copos quebra nozes e ferra em quem tem juízo versos brancos e ferozes. Original é o poeta que é gato de sete vozes.
Original é o poeta que chega ao despudor de escrever todos os dias como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia como se fosse mulher e nela emprenha a alegria de ser um homem qualquer.
Elefantes. Eu gosto de elefantes. Eu gosto de como eles pulam de árvore em árvore.
Macacos. Eu gosto de macacos. Eu gosto de como eles nadam pelo oceano.
Peixinhos. Eu gosto de peixinhos. Eu gosto de como eles coçam as pulguinhas e latem pro carteiro.
Você tem que gostar de cachorrinhos. Enroladinhos no batente da janela, ronronando e perseguindo ratinhos.
Gatos. Eu gosto de gatos. Eu gosto de como eles dizem "Cocoricóoo"!
Galos. Eu gosto de galos. Eu gosto de como eles galopam e trotam.
Cavalos. Eu gosto de Cavalos. Eu gosto de como eles pegam as colméias atrás do mel.
Ursos. Eu gosto de ursos. Eu gosto de como eles pulam alto pra pegar as mosquinhas e sentam na vitória-régia.
Você tem que gostar de sapinhos! Correndo por um labirinto atrás de queijo.
Ratinhos. Eu gosto de Ratinhos. Eu gosto de como eles dizem "Oinc! Oinc! Oinc!".
Porquinhos. Eu gosto de porquinhos. Eu gosto de como eles saltitam e comem cenoura.
Coelhinhos. Eu gosto de coelhinhos. Eu gosto de como eles pisoteiam através da floresta com suas trombas cinzas.
Elefantes. Eu gosto de elefantes...
Não sei se me interessei pelo rapaz por ele se interessar por estrelas se me interessei por estrelas por me interessar pelo rapaz hoje quando penso no rapaz penso em estrelas e quando penso em estrelas penso no rapaz como me parece que me vou ocupar com as estrelas até ao fim dos meus dias parece-me que não vou deixar de me interessar pelo rapaz até ao fim dos meus dias nunca saberei se me interesso por estrelas se me interesso por um rapaz que se interessa por estrelas já não me lembro se vi primeiro as estrelas se vi primeiro o rapaz se quando vi o rapaz vi as estrelas
Adília lopes
Trois allumettes une à une allumées dans la nuit La première pour voir ton visage La seconde pour voir tes yeux La dernière pour voir ta bouche Et l'obscurité tout entière pour me rappeler tout cela En te serrant dans mes bras.
Jacques Prévert
Três fósforos acesos um a um durante a noite O primeiro para ver teu rosto O segundo para ver teus olhos O último para ver tua boca E a escuridão inteirinha para lembrar tudo isso Estreitando-te em meus braços
Tradução Amélia Pais
Vou pronunciar o teu nome
quando estiver sozinho,
sentado entre as sombras dos meus pensamentos silenciosos.
Vou pronunciá-lo sem palavras e sem motivo.
Sou como a criança que chama cem vezes por sua mãe,
alegre de apenas poder falar "mãe".
Rabindranath Tagore, in "A Colheita
Escrevemos.
Até as palavras
Serem carne,
E o poema
A foz
Do nosso gozo.
Violeta Teixeira
Pintei os sapatos de verde para pisar um relvado. Pus um vestido de rosas com seu perfume encarnado.
Colei pratas nas janelas como estrelas amarelas.
Fiz de uma vassoura de pernas para o ar uma palmeira ao vento a cantar.
Baloiçando o baloiço do velho cortinado voei enfim pelo meu jardim inventado.
Luísa Ducla Soares
"Madame, a senhora tem entre as pernas
um instrumento capaz de dar prazer a milhares
e a única coisa que sabe fazer com ele é arranhá-lo!"
dança comigo a primeira valsa da primavera: dança sem sonhos, esquece as promessas, ninguém nos espera. já enchi os dias de lutas vazias: estou gasto, cansado e dormente. E a um pouco de sexo ou muita poesia, ainda não fico indiferente.
Fala comigo na palavra falsa da fantasia: chovem amigos na festa da praça do meio dia. é certo que as flores parecem maiores que toda a virtude do mundo: com um pouco de sexo ou muita poesia ainda me sinto profundo.
se este mundo fosse feito para ser doce eu seria doce fosse eu quem fosse. foge comigo na última volta da maratona, nada comigo num lago de metadona. já deixei as asas na cave e as chaves no fundo do mar: com um pouco de sexo ou muita poesia ainda nos vamos casar.
JP Simões
Meus amigos sou de vidro Sou de vidro escurecido Encubro a luz que me habita Não por ser feia ou bonita Mas por ter assim nascido Sou de vidro escurecido Mas por ter assim nascido Não me atinjam não me toquem Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido Tenho fumo por vestido E um cinto de escuridão Mas trago a transparência Envolvida no que digo Meus amigos sou de vidro Por isso não me maltratem Não me quebrem não me partam Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido Mas por assim ter nascido Não por ser feia ou bonita Envolvida no que digo Encubro a luz que me habita
Lídia Jorge
Se a tranquilidae da água permite refletir as coisas,o que não poderá a tranquilidade do espírito?
Chuang Tzu
EU OUÇO MÚSICA
ouço música como quem apanha chuva: resignado e triste de saber que existe um mundo do Outro Mundo...
Eu ouço música como quem está morto e sente já um profundo desconforto de me verem ainda neste mundo de cá...
Perdoai, maestros, meu estranho ar!
Eu ouço música como um anjo doente que não pode voar.
Mário Quintana
"Quando a tua maior fraqueza é o amor,
és a pessoa mais forte do mundo."
Garman Wold
"O mal de quase todos nós
é que preferimos ser arruinados pelo elogio
a sermos salvos pela crítica."
- Norman Vincent
"Se nós era pássaro, nós voar e ir ver a si.
Depois voltar"
- Karen Blixen
"(...)Mas o bom mesmo, são os adjetivos, Os puros adjetivos isentos de qualquer objeto. Verde. Macio. Áspero. Rente. Escuro. luminoso. Sonoro. Lento. Eu sonho Com uma linguagem composta unicamente de adjetivos Como decerto é a linguagem das plantas e dos animais. Ainda mais: Eu sonho com um poema Cujas palavras sumarentas escorram Como a polpa de um fruto maduro em tua boca, Um poema que te mate de amor Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido: Basta provares o seu gosto... "
Mario Quintana
POESIA
Irás ouvi-la, a musa; ela bate três vezes. Depois não bate mais...
A senha é o absurdo. Assim começa o segredo que esconde a mensagem derradeira...
Sentar-te-ás no escuro esperando as três pancadas. Não te iludas com a chegada dos três porquinhos, ou do velho que manca com uma bengala. O que massacra a Esfinge no final do jogo.
O desfecho é o absurdo, sem o qual a rota da mensagem derradeira está inçada de significado, e a incerteza de tudo está em toda a parte...
Russell Edson
segunda-feira, outubro 27
"agora que não estás deixa que rompa o meu peito em soluços! te enrustiste em minha vida e cada hora que passa é mais por que te amar a hora derrama o seu óleo em mim... e sabes de uma coisa? cada vez que o sofrimento vem essa saudade de estar perto se longe ou estar mais perto se perto que é que eu sei! essa agonia de viver fraco o peito extravasado essa incapacidade de me sentir mais eu orfeu tudo isso que é bem capaz de confundir o espírito de um homem nada disso tem importância quando tu chegas com esse contentamento essa harmonia esse corpo! e me dizes essas coisas que me dão essa força essa coragem esse orgulho de rei meu verso meu silêncio minha música! nunca fujas de mim sem ti sou nada sou coisa sem razão orfeu menos eurídice... coisa incompreensível! a existência sem ti é como olhar um relógio só com os ponteiros dos minutos tu és a hora és o que dá sentido e direcção ao tempo qual mãe qual pai qual nada! a beleza da vida és tu amada vai ao teu caminho que eu vou-te seguindo no pensamento e aqui me deixo rente quando voltares pela lua cheia para os braços sem fim do teu amigo vai à tua vida pássaro contente vai à tua vida que estarei contigo!"
vinícius de moraes
terça-feira, outubro 21
Não sabes, criança? Estou louco de amores... Prendi meus afetos, formosa Pepita. Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?! Não rias, prendi-me Num laço de fita.
Castro Alves
Formosura, procura encontrar-te no amor, não na adulação do espelho.
E havia uma gramática que dizia assim: "Substantivo (concreto) é tudo quanto indica Pessoa, animal ou cousa: João, sabiá, caneta". Eu gosto das cousas. As cousas sim !... As pessoas atrapalham. Estão em toda parte. Multiplicam-se em excesso. As cousas são quietas. Bastam-se. Não se metem com ninguém. Uma pedra. Um armário. Um ovo, nem sempre, Ovo pode estar choco: é inquietante...) As cousas vivem metidas com as suas cousas. E não exigem nada. Apenas que não as tirem do lugar onde estão. E João pode neste mesmo instante vir bater à nossa porta. Para quê? Não importa: João vem! E há de estar triste ou alegre, reticente ou falastrão, Amigo ou adverso...João só será definitivo Quando esticar a canela. Morre, João... Mas o bom mesmo, são os adjetivos, Os puros adjetivos isentos de qualquer objeto. Verde. Macio. Áspero. Rente. Escuro. luminoso. Sonoro. Lento. Eu sonho Com uma linguagem composta unicamente de adjetivos Como decerto é a linguagem das plantas e dos animais. Ainda mais: Eu sonho com um poema Cujas palavras sumarentas escorram Como a polpa de um fruto maduro em tua boca, Um poema que te mate de amor Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido: Basta provares o seu gosto...
Mario Quintana
POESIA
Irás ouvi-la, a musa; ela bate três vezes. Depois não bate mais...
A senha é o absurdo. Assim começa o segredo que esconde a mensagem derradeira...
Sentar-te-ás no escuro esperando as três pancadas. Não te iludas com a chegada dos três porquinhos, ou do velho que manca com uma bengala. O que massacra a Esfinge no final do jogo.
O desfecho é o absurdo, sem o qual a rota da mensagem derradeira está inçada de significado, e a incerteza de tudo está em toda a parte...
Russell Edson
Aguardo a tua vinda! E, embora me entristeça Enquanto aguarde, É tão linda a promessa Que chego a desejar que venhas tarde!
Pegue uns pedacinhos de afeto e de ilusão; Misture com um pouquinho de amizade; Junte com carinho uma pontinha de paixão E uma pitadinha de saudade.
Pegue o dom divino maternal de uma mulher E um sorriso limpo de criança; Junte a ingenuidade de um primeiro amor qualquer Com o eterno brilho da esperança.
Peça emprestada a ternura de um casal E a luz da estrada dos que amam pra valer; Tenha sempre muito amor, Que o amor nunca faz mal. Pinte a vida com o arco-íris do prazer; Sonhe, pois sonhar ainda é fundamental E um sonho sempre pode acontecer.
(Toquinho)
A saudade é um filme sem cor
que meu coração quer ver colorido.
Zeca Baleiro
sexta-feira, outubro 17
A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca. Carlos Drummond de Andrade
"Seeu me magôo e passo a odiar quem foi insensível comigo, esse problema é MEU, não do outro. O outro apenas não correspondeu às minhas expectativas, não deu o colo que eu achava que merecia, não foi o amigo que eu queria que tivesse sido. Ele foi ELE. EU é que queria que ele tivesse agido diferente. Então EU sou o responsável pelo que sinto". Léa Waider
Senhora D fala a Ehud (...) como se eu tocasse sozinho um instrumento, qualquer um, baixo, flautim, pistão, oboé, como se eu tocasse sozinho apenas um momento da partitura, mas o concerto todo onde está? Desperdícios sim, tentar compor o discurso sem saber do seu começo e do seu fim ou o porquê da necessidade de compor o discurso, o porquê de tentar situar-se, é como segurar o centro de uma corda sobre o abismo e nem saber como é que se foi parar ali, se vamos para a esquerda ou para a direita, ao redor a névoa, abaixo um ronco, ou acima?
Ehud responde
isso de procurar a orquestra, senhora D, é coisa de vadios, sabe-se lá, mudaram-se todos, que te importa o som de todos se tens o teu?
Ai quem me dera, terminasse a espera E retornasse o canto simples e sem fim... E ouvindo o canto se chorasse tanto Que do mundo o pranto se estancasse enfim
Ai quem me dera percorrer estrelas Ter nascido anjo e ver brotar a flor Ai quem me dera uma manhã feliz Ai quem me dera uma estação de amor
Ah! Se as pessoas se tornassem boas E cantassem loas e tivessem paz E pelas ruas se abraçassem nuas E duas a duas fossem ser casais
Ai quem me dera ao som de madrigais Ver todo mundo para sempre afins E a liberdade nunca ser demais E não haver mais solidão ruim
Ai quem me dera ouvir o nunca mais Dizer que a vida vai ser sempre assim E finda a espera ouvir na primavera Alguem chamar por mim...
«Se querem que as vossas crianças sejam inteligentes, leiam-lhes contos de fadas. Se querem que elas sejam mais inteligentes, leiam-lhes mais contos de fadas.»
Einstein
terça-feira, outubro 14
Há pessoas que com uma só palavra despertam ilusões e roseirais; que com um mero sorriso nos olhos nos convidam a viajar por outras terras, nos dão a conhecer toda a magia do mundo. Há pessoas que com Um mero toque Quebram a solidão, põem a mesa, servem um banquete e colocam grinaldas; que com uma simples viola fazem uma sinfonia caseira Há pessoas a quem basta Abrir a boca Para tocar nos confins da alma, Alimentar uma flor, Inventar sonhos, Fazer cantar o vinho nas pipas, Como se fossem a coisa mais simples do mundo. E assim vamos de braço dado Com a vida, Desterrando uma morte solitária, Pois sabemos que ao virar da esquina Há pessoas assim, Tão necessárias...
Hamlet Lima Quintana
Não te fies do tempo nem da eternidade, que as nuvens me puxam pelos vestidos, que os ventos me arrastam contra o meu desejo! Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, que amanhã morro e não te vejo! Não demores tão longe, em lugar tão secreto, nácar de silêncio que o mar comprime, ó lábio, limite do instante absoluto! Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, que amanhã morro e não te escuto! Aparece-me agora, que ainda reconheço a anêmona aberta na tua face e em redor dos muros o vento inimigo... apressa-te, amor, que amanhã eu morro, que amanhã morro e não te digo...
Cecília Meireles
Quando o sol visita minha estreita janela, deixa réstias de luz espalhadas sobre a minha cadeira preferida onde descanso a falta de sono, de sonho. A esperança sempre me pareceu vestir cetim enquanto eu, envolta em panos simples, vivo estampando cores e formas. Um dia por vez.
Cuido dos poucos, mas fartos planos. E asseguro-lhes que as horas têm mãos que aquecem borboletas até alçarem vôos enigmaticamente perfeitos. Quantas vezes o que parece não ter rumo nem prumo, voa...?
Diana-Dru
'Foi um processo longo e difícil, como sempre o são as aproximações entre duas pessoas habituadas a estarem sozinhas. Primeiro parece fácil, é o coração que arrasta a cabeça, a vontade de ser feliz que cala as dúvidas e os medos. Mas depois é a cabeça que trava o coração, as pequenas coisas que parecem derrotar as grandes, um sufoco inexplicável que parece instalar-se onde dantes estava a intimidade. É preciso saber passar tudo isso e conseguir chegar mais além, onde a cumplicidade - de tudo, o mais díficil de atingir - os torna verdadeiramente amantes'
[Miguel Sousa Tavares]
Tome-se Um poeta não cansado, Uma nuvem de sonho e uma flor , Três gotas de tristeza , um tom dourado, Uma veia sangrando , de pavor.
Quando a massa já ferve e se retorce ... Deita-se a luz dum corpo de mulher. De uma pitada de morte se reforce, Que um amor de poeta ... assim requer !
..."Quem quiser saber de mim
Tem que ter o coração aberto
Ser frugal, mas com alma de arlequim
Ter mistérios mas se deixar a descoberto.
(Sônia Maria Grillo)