quarta-feira, janeiro 30


O amor pintam-no cego e com asas;
cego para não ver os obstáculos;

com asas para os transpor.
Jacinto Benavente y Martinez





CINDERELA AO CONTRÁRIO


À meia-noite despeço-me do mundo

e corro a abrir a porta dos meus sonhos.

Às vezes, com a pressa, deixo cair

na escada um sapatinho.

Quando de manhã alguém mo traz,

dizendo

"deixas o sapato em qualquer lado",

volto a calçá-lo,

distraidamente,

e vou ficando,

outra vez,

desencantado.


Álvaro Guimarães

DOR DAS ESTRELAS


Nangung Bytoc
Querida minha querida,
quando o bebê revira o corpo na cama, nunca te ocorreu,
involuntárimente,
levar um grande susto?
Querida minha querida, quando as pessoas no mundo torcem e arrancam as flores da terra,
nunca te ocorreu que as estrelas do céu
se contorcem de dor?
(tradução de Yung Jun In)

terça-feira, janeiro 29



"Sê paciente;espera

que a palavra amadureça

e se desprenda como um fruto

ao passar o vento

que a mereça"

(Eugenio de Andrade)


Faça do seu interior, um bosque lindo
cheios arbustos ornamentais floridos
rodeados de jardins multicoloridos
de cores vistosas e cheirosas

.Cultive, trate bem seu interior
ele é a fonte do seu brilho exterior
do seu sorriso, da sua alegria, da sua luz
seu Sol, que na sua face Reluz !!!!





Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio...
Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece...
nem repetidas com fervor..
.apenas respeitadas como a única coisa que resta
a uma mulher inundada de sentimento...
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo...
E que a minha loucura seja perdoada...
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.
(O. Montenegro)
A partícula cósmica que navega meu sangue é um mundo infinito de forças siderais...
Veio a mim sob um longo caminho de milênios quando talvez fui areia para os pés do ar...
Logo fui a madeira, raiz desesperada, submersa no silêncio de um deserto sem água...
Depois fui caracol, quem sabe aonde, e os mares me deram a primeira palavra...
Logo a forma humana derramou sobre o mundo a universal bandeira do músculo e da lágrima...
E cresceu a blasfêmia sobre a antiga terra...
E então vim à América para nascer homem, e em mim juntei a mata, os pampas e a montanha...
Converso com as folhas no meio dos montes que dão suas mensagens as raízes secretas...
E assim vou pelo mundo sem idade nem destino, ao amparo de um cosmos que caminha comigo...
Amo a luz, o rio, o caminho e as estrelas, e floresço em violões porque fui a madeira...

(Atahualpa Yupanqui)

FINA frô


ALGUÉM


Eu só queria ter a certeza de que,
apesar das minhas renúncias,
das minhas oscilações de humor,
das minhas lágrimas, do meu sorriso,
do bom senso e das loucas contradições;
alguém me valoriza pelo que sou,
não pelo que tenho.
Que me veja como um ser humano
que, apesar de defeituoso, completo.
Que abusa demais dos bons sentimentos
que a vida proporciona, chegando as vezes,
a acreditar neles...
Que apesar dos sofridos anos vividos,
ainda não conseguiu se desfazer
da ingenuidade - tão incompreendida,
ridicularizada... criticada...
Que esse alguém,
valorize o que realmente importa:
Que é meu SENTIMENTO.
E não brinque com ele!...
Que esse alguém me peça
para que eu nunca mude,
para que eu nunca cresça,
para que eu seja sempre EU MESMA.

(Aut:Ginna Gaiotti)
“Os homens que se emocionam com as paixões são capazes de ter mais doçura na vida.”

René Descartes

PARA SOPHIA...UMA PRECE...



NADA


Falas-me sem dizer uma palavra.
Olhas-me de pálpebras fechadas.
Sentes-me como se sente a vida.
Beijas-me com a força da despedida.
Amas-me... e o resto é nada


"Ontem é uma árvore de longas ramagens, e estou estendido à sua sombra, recordando."

VAMOS TECER UM SONHO

Vamos tecer um sonho.
Traz as sedas delicadas,
As linhas douradas,
Os cetins,
Eu levo as agulhas,
Os beijos em fagulhas,
As missangas e os marfins.
Com meus dedos
E em cada ponto que dou,
Vou cosendo os nossos segredos,
Enquanto tu bordas as flores
Em carícias de todas as cores.
Juntos vamos tecer um sonho,
Sem fios soltos,
Sem defeitos,
Com todos os remates perfeitos,
Para cobrir o nosso amor.

GUARDO-TE

Guardo-te o toque nos segredos da pele
E o olhar no rosto esquecido da memória,
Guardo-te as palavras em velhos pedaços de papel
E a presença em cada lugar da solidão...
[Guarda-me apenas no entardecer
que vês da janela do teu coração]

POEMAS


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde
e pousam no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto;
alimentam-se um instante em cadapar de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...
Mario Quintana - Esconderijos do Tempo



"Nunca deixes de sorrir, nem sequer quando estás triste

porque nunca sabes quem se poderá apaixonar pelo teu sorriso".

Gabriel Garcia Marquez

NA TERRA DOS SONHOS...


"(...) Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual

Na terra dos sonhos não há pó nas entre linhas, ninguém se pode enganar E abre bem os olhos, escuta bem o coração se é que queres ir para lá morar (...)"
rose Meditative


[...]O que eu adoro em ti,

Não é a mãe que perdi,

Não é a irmã que já perdi,

E meu pai.

O que adoro em tua natureza,

Não é o profundo instinto maternal

Em teu flanco aberto como uma ferida.

Nem a tua pureza.

Nem a tua impureza.

O que eu adoro em ti - lastima-me e consola-me!

O que adoro em ti, é a vida...


(Manuel Bandeira )

TRANPARÊNCIA



A verdadeira beleza da vida
está nas coisas a que menos importância damos...
Nas pequenas coisas...
Nas coisas transparentes...

SOU LIVRE

Sou livre porque sonho

E nos meus sonhos toda a noite se faz dia,

Todas as amarras se soltam,

Todos os pássaros tristes cantam,

E todo o impossível acontece por magia
Sou livre porque sonho
E nos meus sonhos toda a noite se faz dia,
Todas as amarras se soltam,
Todos os pássaros tristes cantam,
E todo o impossível acontece por magia...




Não chores por não veres o sol...

As lágrimas não te deixarão ver as estrelas...


segunda-feira, janeiro 28



As asas se batem

Querem alcançar a liberdade

Não querem mais casulo

Apenas coragem

E ao bate-las

Não mais se reconhecem

Trocam de identidade

Se transformam em borboletas

Escorregam pelos ventos

Residem em flores

Suas cores e suas pétalas

São um primor para os homens

E de tudo na vida tira-se um proveito

Seja na forma de palavras,pinturas ou desenhos

O seu ritmo

Parece que encanta

Pois nada é mais belo do que a sua leveza

E tanto as borboletas como os pássaros

Nos inebriam por sua belezae suas penas multicoloridas

Seus instintos que interessam tanto aos biólogose sua capacidade de tão elevada inspiração.



VÔO


Alheias e nossas as palavras voam.

Bando de borboletas multicores, as palavras voam

Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas,

as palavras voam.

Viam as palavras como águias imensas.

Como escuros morcegos como negros abutres, as palavras voam.



Oh! alto e baixo em círculos e retas acima de nós,

em redor de nós as palavras voam.

E às vezes pousam.


Cecília Meireles
E ASSIM DISSE A MÃE NATUREZA:
NINGUÉM DEVERÁ... PLANTAR A SEMENTE QUE NÃO SE PROPÔS A CULTIVAR POIS,
MESMO QUE ABANDONADA EM TERRENO ROCHOSO
PODE A NATUREZA DIVINA MANIFESTAR-SE ...
SE FOR, COMO TODA SEMENTE, FEITA DE AMOR...
O GÉRMEM DELA ECLODIRÁ...
ATÉ MESMO QUE REGADA POR LÁGRIMAS DE DESPREZO E DOR
NA FRESTA DA PEDRA ELA LANÇARÁ SEUS BROTOS,
E NADA IMPEDIRÁ QUE DELES FLORESÇA TEIMOSA A FLOR DO AMOR.
Por quem foi que me trocaram
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri.
Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele está feito
É que tens para mo dar.
Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim…
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim?
(Fernando Pessoa)

domingo, janeiro 27




Meu anjo da guarda:HARIEL



Sobre o anjo Hariel
Categoria: Querubins

Príncipe: Raziel

Protege os dias:03/04 - 15/06 - 27/08 - 08/11 - 20/01

Número de sorte: 12

Mês de mudança: dezembro

Carta do tarô: O enforcado

Está presente na Terra:de 4:40 às 5:00 da manhã

Salmo: 93

O Anjo:

Este anjo é invocado contra os incrédulos da religião.

Sua influência está ligada aos sentimentos religiosos, que se distinguem pela pureza.

Ajuda a descobrir tudo o que é útil e novo, protegendo as ciências e as artes.

Influência: Quem nasce sob esta influência, tem grande pureza de sentimentos, é simples mas refinado para os valores materiais e sociais.

Irresistivelmente perfeito, terá tendência a estudos das ciências esotéricas, organizando associações, promovendo conferências ligadas ao assunto e trabalhando para instituir a legalização nas atividades esotéricas ou alternativas. Religião exaltada, terá grande iluminação que acontece de modo consciente, instituindo ritos e costumes que poderão contribuir para a expansão da espiritualidade.

Terá poder para as invocações mágicas e combaterá o materialismo para melhorar a existência humana.

Deterá sobre si na Terra, uma autoridade e uma inteligência analítica extraordinárias.

Possuidor de um forte sentimento de justiça, encontrará sempre a iluminação para a escolha do caminho que deverá seguir.

Realista, estará sempre com os pés no chão.

Terá facilidade em aprender, criar e estudar.

Estará sempre bem humorado, mostrando que a vida é simples sem dificultá-la.

Seu anjo pede para fazer as coisas rapidamente sem perder tempo, pois ele trabalha nessa dinâmica.

Um ano seu comparado ao de qualquer outra pessoa eqüivale a cinco anos vividos.

Profissionalmente:

Poderá fazer sucesso como professor, advogado, artesão, restaurador e estudioso de pinturas e objetos antigos


Texto extraído dos livros Anjos Cabalísticos e A magia dos anjos cabalísticos de Monica Buonfiglio

Pó de fadas


Por Gabriela Irigaray:

http://dicadebruxa.blogspot.com/2007/11/p-das-fadas.html

Olha, eu não posso dar a receita da Eddie, pois não é minha e sim, recomendo que comprem e leia o livro dela "A Bruxa tá Solta"! Lá vc vai ter um monte de poções! Aqui vou ensinar uma livre adaptação minha seguindo o que a Eddie
ensinou no curso.
Ingredientes:
200 grs de leite em pó light (para não engordar, né)
11 pétalas se rosa branca (secas reduzidas a pó ou bemmmm picadinhas)
5 gotas de F5 (dos florais Kainnon) diluídas em álcool de cereais (30mls) e depois impregnadas em maizena - assim: pegue uma colher de sopa de maizena e coloque misturado no floral, fará uma pequena papa, depois deixe secar. A Maizena (amido de milho) que sobrar seca, coloque no pó.
Corante da cor das fadas, ou seja, só de brilho. Azul e rosa também são legais. Um cristal de quartzo.
Modo:
Numa noite de lua bem cheia e de preferência com céu estrelado, misture tudo e exponha o pó para a lua no mínimo por 30 minutos com o cristal encima (lembre-se de ter programado o cristal - segurando ele entre as mãos e dizendo 3x: "Cristal de luz, cristal de poder, canaliza a lua para o meu querer!" e no caso...."quero a bensão, o poder e o carinho das fadas".
Quando colocar o pó (sempre dentro de um pote transparente ou sobre um prato branco) recite:
"Fadas das flores, fadas da luz, fadas do planeta, fada que me conduz! Vinde todas vocês, vinde encantar, este pós mágico para com seu poder ele ficar!"
Agradeça por tudo. Se quiser acenda na janela um incenso de flores para elas, coloque musica de instrumentos de sopro (flautas), burrife sprays aromáticos no ar e no vento para elas. Também pode deixar ao lado do pó uma oferenda (não é troca, é só mimo) de um bolinho de frutas e um copo de leite. Fadas adoram isso. Eu que o diga!
Quando o pó estiver pronto (se tiver verifique com o pêndulo, que deve girar em sentido horário e bem forte) guarde-o num vidro transparente e limpo, com tampa.
Para que serve: Canalizar mensagens das fadas, se aproximar delas, ter ideias, inspirações, saber brincar, sentir-se leve, trabalhar com florais.
Como usar: Coloque uma pitada no seu leite ou doce preferido (doces brancos ou cor de rosa) e beba (coma). Pode passar sobre o chakra ajna, assoprar no vento e fazer pedido às fadas, colocar sobre fotos de crianças a serem protegidas. Trazer encanto em qualquer lugar (coloque nos cantos do espaço a ser encantado pelas fadas).




PARA MINHA AMIGA GRACIELA....

SANTA MARIA - 150 ANOS -
A CIDADE QUE NASCEU DE UMA HISTÓRIA DE AMOR -
A CIDADE DO PRIMEIRO GAÚCHO

" O Primeiro Gaúcho
Os s índios que habitavam esta região conheciam, não se sabe desde quando, o uso das boleadeiras.
Usavam-nas, juntamente com as flechas e lanças, contra os inimigos e também para caçar.
Dizem que, uma vez, no século XVIII, os índios estavam realizando uma grande festa.
Diversas fogueiras tinham sido acesas para assar as caças.
Dançavam e cantavam alegremente.
Alguns bandeirantes estavam passando por perto e viram a fumaça.
Como eles andavam atrás de ouro e pedras preciosas, necessitavam de escravos para ajudá-los no trabalho!
Um deles disse:
- Vejam! Fumaça! Devem ser índios!
- Com certeza! - respondeu outro. Vamos aprisioná-los!
Aprontaram as cordas, verificaram as armas e seguiram em direção à fumaça.
Os índios, que não eram bobos, mantinham sentinelas por todos aqueles lugares.
Informado da presença dos bandeirantes, o cacique da tribo ficou furioso:
- São os brancos que querem escravizar-nos! - gritou ele.
Que venham! Que venham!
O chefe, então, arquitetou um plano: mandou que vários guerreiros montassem em seus cavalos e seguissem para a campina.
Os índios cavaleiros deveriam ficar deitados e escondidos num dos lados do cavalo, deixando o outro lado voltado para os brancos. Eles pensariam tratar-se de cavalos selvagens e se aproximariam, tornando-se presas fáceis!
Quando os bandeirantes viram os cavalos, ficaram contentíssimos:
- Que belos cavalos! - exclamou o chefe.
Vamos cercá-los e laça-los!
E foram-se aproximando, sem perceber que se tratava de uma armadilha.
Quando os índios acharam que os brancos estavam suficientemente perto, endireitaram-se nos cavalos e partiram, rápidos como o pensamento, contra eles, uns atirando boleadeiras ou flechas, outros com as terríveis lanças apontadas. Os bandeirantes ficaram boquiabertos.
Chegaram a dar alguns tiros, mas o ataque havia sido inesperado, não lhes dando tempo para reagir.
Muitos foram mortos e, quem pôde, tratou de fugir dali!
Vitoriosos, os índios examinaram o lugar onde se travara o combate, quando ouviram um gemido.
Havia alguém vivo!
O ferido era o mais moço do grupo de bandeirantes e chamava-se Rodrigo.
Fizeram-no prisioneiro e o levaram para a aldeia.
Foi realizada uma grande festa pela vitória, na qual o Conselho da Tribo condenou Rodrigo à morte.
Como os índios não matavam pessoas doentes ou feridas, decidiram esperar até que o rapaz ficasse curado para, então, sacrificá-lo.
Enquanto isto, podia andar em liberdade pela aldeia.
A filha do chefe, uma linda mocinha chamada Imembuí, ficou com muita pena do prisioneiro e passou a lhe dar as melhores comidas e bebidas.
Como o ferimento já estava cicatrizando, Rodrigo sabia estar próxima a sua hora.
Perguntou a Imembuí se ela sabia a data da cerimônia.
A índia olhou-o com os olhos cheios de lágrimas:
- Não tenha receio, respondeu, estou do seu lado e nada lhe acontecerá.
Rodrigo ficou muito contente e até se animou.
Como é bom ter esperança!
Ficou tão alegre que sentiu vontade de cantar, de tocar.
Resolveu fazer um instrumento, uma viola.
Com sua faca, cortou um pedaço de madeira e pouco a pouco, penosamente, conseguiu dar-lhe a forma desejada. Depois, arranjou fibras de uma trepadeira, transformando-as em cordas.
Estava pronta a viola e Rodrigo começou a tocar e a cantar belas canções, tristes e suaves, que agradaram imensamente a Imembuí.
Dias depois, um índio trouxe a mensagem do cacique:
estava próxima a hora do sacrifício!
Ele precisava pagar por todos os brancos que pensaram em escravizar os índios!
Era só aguardar mais um pouco.
A esperança de Rodrigo ficou abalada e, embora a moça prometesse que haveria de conseguir salvá-lo, ele tinha as suas dúvidas.
De qualquer modo, continuou a tocar e a cantar para a mocinha índia, que não se cansava de ouvi-lo.
E, pouco a pouco, apaixonaram-se um pelo outro e começaram a namorar.
Sempre que Rodrigo lhe falava sobre a terrível hora que se aproximava, ela lhe respondia:
- Conseguirei salvá-lo. Pedirei perdão ao chefe. Ele é meu pai e não deixará de me atender.
E, assim, correram mais alguns dias.
Certa manhã, alguns índios levaram o prisioneiro e o amarraram fortemente a um tronco.
O dia do sacrifício chegara.
Imembuí não conseguira salvá-lo, embora tivesse pedido diversas vezes ao pai e ele se sentisse inclinado a concordar. Quando a moça foi avisada, atirou-se aos pés de seu pai e lhe implorou que conservasse a vida de seu namorado.
O chefe respondeu-lhe:
- Por mim, ele seria poupado, mas há outros chefes e não quero desgostá-los.
Fazem questão de sacrificar o branco conquistador.
Ela saiu dali e foi conversar com os outros chefes.
Implorou a todos, um por um. Disse-lhes que o moço era dotado de bom coração e que fizera aquilo por influência dos companheiros.
Os chefes não estavam dispostos a ceder.
Como, porém, gostavam muito da indiazinha, resolveram formar um Conselho para decidir, de uma vez, a sorte de Rodrigo.
Mandaram soltá-lo até a solução final e sua namorada correu para ele, a fim de lhe contar o que sucedera.
Rodrigo ouviu tudo, preocupado.
Não se sentiu muito esperançoso, não.
No Conselho, os chefes discutiam.
Não viam motivo para poupá-lo, mas também não queriam desgostar a jovem índia, nem a seu pai, que era o chefe de todos. Foi, então, que Rodrigo teve uma idéia.
Ele era muito esperto e se lembrou que os índios são muito sensíveis à música.
Talvez conseguisse seduzi-los com suas canções.
Foi buscar a viola, sentou-se o mais perto possível do lugar do Conselho e começou a tocar e a cantar as mais belas canções que conhecia.
Dentro da cabana, os chefes ficaram maravilhados.
Um a um, foram saindo para ver quem tocava e cantava tão docemente.
Quando viram que era o prisioneiro, ficaram surpresos.
Ele não era um homem!
Era um deus!
E aquele que havia sido motivo de ódio, passou a ser admirado por todos.
Diz a lenda que, enquanto ouviam as tristes e belas canções, exclamavam:
- “Gaú-che! Gaú-che” - que significa “gente que canta triste”.
Desta expressão indígena, teria vindo a palavra gaúcho.
Rodrigo e Imembuí ficaram noivos e, pouco tempo depois, realizou-se o casamento.
E que casamento!
Jamais aqueles índios tinham visto uma festa igual.
Depois do banquete, todos dançaram à luz das fogueiras.
Foi com estes índios que Rodrigo aprendeu a usar as boleadeiras.
Com o tempo, os chefes índios começaram a notar que Rodrigo, além de excelente músico, possuía outras qualidades. Era calmo, inteligente e equilibrado.
Resolveram elegê-lo conselheiro da tribo.
E ele agiu com tanta sabedoria e competência, que logo se tornou um dos chefes.
Com seu modo de pensar de homem civilizado, influiu nos hábitos daquela gente.
- Temos necessidade de formar lavouras e melhorar nosso meio de vida, disse ele, um dia.
-Vamos às missões dos jesuítas e lá conseguiremos ferramentas e sementes. Em troca, daremos aos padres erva-mate, cavalos, peles e o que mais pudermos conseguir. Desta maneira, também obteremos tecidos para vestir melhor a nossa gente.
Junto aos jesuítas, Rodrigo foi bem sucedido e conseguiu o que desejava.
Logo, a terra dos índios passou por uma grande transformação.
Verdes lavouras, gordos animais, índios alegres.
Rodrigo foi, portanto, o primeiro gaúcho, e seus descendentes herdaram o amor à música, à terra e ao progresso. "
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