quarta-feira, fevereiro 13


" Estou sempre alegre _

essa é a minha maneira de resolver os problemas da vida.

Tenho a impressão de que os homens estão perdendo o dom do riso."


Charles Chaplin

terça-feira, fevereiro 12

Além do amor

Vinicius de Moraes / Baden Powell

Se tu queres que eu não chore mais
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer, canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for
Deixa-me chorar assim
Porque eu te amo
Dói a vida
Tanto em mim
Porque eu te amo
Beija até o fim
As minhas lágrimas de dor
Porque eu te amo, além do amor!



DavidSousa




O silêncio

ISABEL GUERRA
Quando a ternura

parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,

inda demora,

quando azuis irrompem

os teus olhos

e procuram

nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras

desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.


Eugênio Andrade



ISABEL GUERRA



...."Aqui livre sou eu — eco da lua

E dos jardins, os gestos recebidos

E o tumulto dos gestos pressentidos

Aqui sou eu em tudo quanto amei.


Não pelo meu ser que só atravessei,

Não pelo meu rumor que só perdi,

Não pelos incertos atos que vivi,


Mas por tudo de quanto ressoei

E em cujo amor de amor me eternizei."


(Sophia Andresen)

Les étoiles s' allument au ciel, et la brise du soir erre doucement parmi les fleurs:

rêvez, chantez et soupirez.

Georg Sand



As ondas são anjos que dormem no mar,

Que tremem, palpitam, banhados de luz...

São anjos que dormem, a rir e sonhar

E em leito d'escuma revolvem-se nus!


Álvares de Azevedo

"Ela é tão livre que um dia será presa...



-Presa por quê?



Por excesso de liberdade.



Mas essa liberdade é inocente?



-É...até mesmo ingênua.



Então por que a prisão?

-Porque a liberdade ofende".



Clarisse Lispector


"A mulher é um efeito deslumbrante da natureza."
Schopenhauer







" Uma manhã perfeitamente normal,

uma rua perfeitamente normal.

O calor do verão.

E, no entanto,cada arbusto

está cheio de pérolas de luz

.O mundo surge radiante ao sol da manhã.

E tudo isso é teu".

(Helen Exley-Giftbook)





Não deixe portas entreabertas
Escancare-as
Ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas
Passam apenas semiventos,
Meias verdades
E muita insensatez.
(Flora Figueiredo)


Por dentro da alma...

Gonzàlez Alacreu
"quando eu era pequena, a minha mãe estendia roupa como se fosse magia, enquanto cantava e sorria... eu sentia-me, a cada renovada vez, como se pudesse ficar ali para sempre.. a ver a roupa a esvoaçar e a ouvi-la sorrir por entre as canções que murmurava... às vezes recordo a minha mãe como uma nuvem.daquelas nuvens brancas, algodonescas e robustas... que nos enchem de uma sensação de tranquilidade (daquelas que nem se nota que foi surgindo...) as asas da imaginação tornam-se leves e percorrem mundos imensos... de olhos abertos, mas fechados."



ardendo secreta

lamparina de quebrar a noite

geografia oculta de àgua

e cristal

poesia é pano de forrar

a alma

no meio do vendaval..

(Roseana Murray)

Inunda-me


Ah ! Sinto tua fragrância...

Indício orvalhado que exalta-me manhosa....

A mansidão não subsiste a interpérie sentimental,

Que engendra-me tempestuosa à flutuar contigo no infinito azul.

Quando fito teus olhinhos acobreados, que pulsam

Como pérolas translúcidas, sinto-me intimamente agregada a ti,

E do teu riso, que critaliza tanto contentamento.

Teu cheiro abrange-me, encarece meu ser, embriagando-me

A entrenhar-me profunda, no misterioso mar, que banha-nos prateado.

És alga salgada que adere-se docemente em meu oceano,

Que navegas alumiando meu universo.

És maresia em bálsamo, âncora no aconchego da minh’ alma.

A bússola naufragou-se, e a concha fendeu-se entre espumosas ondas.

Meu menino, meu intruso, meu marujo.

Vem me inundar...


~Cris Poesia~

imagem:

RODRÍGUEZ NÚÑEZ

CONTRALUZ

(imagem de Pep Montserrat)
Assim, se por acaso quiseres me desejar tudo de bom,


mande-me uma simples mensagem dizendo:





Sou feliz!





((Bruder Klein)).

No escuro de minha alma
só a rosa vermelha
do teu coração
é que trás cor
aos meus dias nublado
sEdgar Radins
Quero o azul do céu


misturado com o azul do mar


e suas salgadas águas


a se derramar sobre nós...


Você vem comigo,


colorir de azul


o mundo meu...


Edgar Radins


Estou em deslize suave






sobre um mar calmo.






Não quero porto,






busco águas bravias






onde ondas me removam,






me virem de ponta cabeça.






Da calmaria só quero um sorriso,






um olhar sem fim, além dos horizontes.






Edgar Radins

Às vezes penso que se fosse uma magnólia quereria ser um laranjeira,

se fosse um águia quereria ser um cavalo

ou se fosse quadro quereria ser uma fotografia.

Esqueço-me que devo ser o que sou.

Pela evidência de ser o único que tenho e posso ser

e, porque, só quando gostar disso

é que posso tocar a felicidade e passá-la.

Fico a pensar que perdemos demasiado tempo

em querer dar laranjas,

em galopar velozment

eou em ser o flash de um instante supremo.

Quando, na verdade, o que podemos fazer

é chegar a dar muitas e belas flores,

voar cada vez melhor

ou tornarmo-nos até num Rembrandt.

Cada qual deve acabar por pegar na própria vida nos braços e beijá-la.

Arthur Miller



"É preciso pensar com as mãos se nos queremos curar.Simplesmente porque, o amor, muito mais do que ideias ou palavras são gestos"

“Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo.”
Hermann Hesse
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga


sábado, fevereiro 9



Saboreio este dia,
Fruto roubado no pomar do tempo.
Sabe-me a novidade,
Deixa-me os lábios doces.
Tem a polpa de sol, e dentro dele
Calmas sementes de outro sol futuro.
Cheira a terra lavrada e a maresia.
E tão livre e maduro,
Que quando o apanhei já ele caía.
Miguel Torga



amostra sem valor


Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.

Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:

com ele se entretém

e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,

sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,

que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,

não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida

ignoram todo o homem,

dissolvem-no, e, contudo,nesta insignificância, gratuita e desvalida,

Universo sou eu, com nebulosas e tudo.


(António Gedeão)
Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado.
Quando te vejo e embora exista o vento
nenhuma folha nas múltiplas árvores se move
ver-te é logo todas as coisas começarem é
tudo ser desde sempre anterior a tudo.
Ver-te é sem tu me veres eu sentir-me visto
sentir no meu andar alguma segurança mínima
caminhar pelo ar a meio metro da terra
e tudo flutuar e ser ainda mais aéreo do que o ar
ver-te é nem mesmo pensar que deixarei de ver-te.
Ruy Belo




Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga



Hoje podes deitar-te na minha cama
e contar-me mentiras - dizer, não sei,
que o amor tem a forma da minha mão
ou que os meus beijos são perguntas que
não queres que ninguém te faça senão
eu; que as flores bordadas na dobra do
meu lençol são de jardins perfeitos que
antes só existiam nos teus sonhos; e que
na curva dos meus braços as horas são
mais pequenas do que uma voz que no
escuro se apagasse. Hoje podes rasgar
cidades no mapa do meu corpo e
inventar que descobriste um continente
novo - uma pátria solar onde gostavasde morrer e ter nascido. Eu não me
importo com nada do que me digas esta
noite: amo-te, e amar-te é reconhecer o
pólen excessivo das corolas, o seu vermelho
impossível. Mas amanhã, antes de partires,
não digas nada, não me beijes nas costas
do meu sono. Leva-me contigo para sempre
ou deixa-me dormir - eu não quero ser
apenas um nome deitado entre outros nomes.
"Desatei a correr muito depressa.
Quanto mais depressa corro, mais sinto a cara cheia de vento.
Quanto mais depressa corro, mais sinto o barulho do ar.
O meu cabelo vai um pouco para um lado e para o outro.
Percorri o caminho todo olhando para baixo, sempre a correr;
agora estou junto à relva e passo por todos os malmequeres.
Procuro não os pisar, mas se calhar alguns já morreram sob os meus pés.
Corro com o vento na boca e a respiração sobe e desce.
Corro para o pequeno bosque, cada vez mais depressa,
e entro nos braços das árvores…
mantenho os olhos fechados como os cegos
e corro muito rapidamente enquanto as folhas me acariciam a cabeça.
Pelos cantos dos olhos descem alguns pingos.
A minha boca abre-se enquanto a respiração sobe e desce sobe e desce. E
Entrou-me quase todo o vento na boca,
as árvores nunca mais acabam, AUMENTAM, AUMENTAM.
Vejo finalmente o grande campo do outro lado,
com mil malmequeres todos vivos;
corro ainda mais depressa, muito depressa,
e mergulho entre as pétalas brancas.
E enquanto o pescoço se estica para apanhar todo o ar que se perdeu no céu,
eu penso que é assim que se devia morrer…
com as pétalas na garganta "


sexta-feira, fevereiro 8





Eu não sou eu.
Sou este
Que vai a meu lado sem eu vê-lo;
que, por vezes, vou ver,e que, às vezes, esqueço.
O que se cala, sereno, quando falo,
o que perdoa, doce, quando odeio,
o que passeia por onde estou ausente,
o que ficará de pé quando eu morrer.
Juan Ramón Jimenez

fotografia vinc vincenty
Vimos da escuridão e somos luzou nascemos da luz e somos sombra?
Teresa Balté


Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.

Sophia M. B. Andresen











FOTO:Marianne Le Carrour


Algumas pessoas têm tanto medo de morrer,

que nunca começam a viver.


Henry Van

dá-me um lugar onde possa reclinar a cabeça
um colo onde possa adormecer
e te saiba por perto
dá-me mãos inteiras de chuva
os lírios que a manhã me trouxe aos olhos
uma única razão para o dilúvio
e eu dar-te-ei um verso
do tamanho de uma casa
José Rui Teixeira

Quando as crianças brincam

Eu as ouço brincar,

Qualquer coisa em minha alma

Começa a se alegrar

Fernando Pessoa
Toca-me, conjuga um verbo que conheças
no presente do indicativo,
soletra-o na segunda pessoa
do singular ao meu ouvido,
dá-me qualquer coisaque me pareça eterno
José Rui Teixeira